Podem ocorrer mudanças nas aposentadorias dos servidores públicos

Agência Confelegis

A Câmara dos Deputados deverá votar, até março, o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público da União (Funpresp). A estimativa é do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho. De acordo com ele, todos os acordos em torno da matéria já foram estabelecidos com os partidos, e isso o leva à conclusão de que é quase zero a chance de haver obstrução da votação. O projeto foi encaminhado à Mesa Diretora da Câmara, em regime de urgência.

O ministro ressaltou que o pagamento de aposentadorias no serviço público teve déficit de R$ 56 bilhões em 2011, valor que deverá ser 10% maior neste ano.

A previdência complementar do servidor público, segundo ele, reduzirá os encargos da União com as futuras aposentadorias dos novos servidores que estão entrando no serviço público por concurso. A ideia é que os futuros aposentados recebam o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - hoje em torno de R$ 3.920,00 - e que tenham o rendimento complementado pelo Funpresp para chegar ao valor total do que ganham.

O Congresso Nacional deverá analisar, também neste ano, projeto mudando o regime de pensões do INSS, visando "corrigir distorções que impactam negativamente as contas" do Regime Geral da Previdência Social (RGPS). "Há muita coisa que precisa mudar na Previdência", admitiu o ministro, "mas tem que ser feito em tempo oportuno".

Com as novas regras, para ter aposentadoria superior ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de cerca de R$ 3,7 mil, o servidor público terá de contribuir para este fundo de pensão. A estimativa é de uma economia de R$ 26 bilhões por ano dentro de 35 anos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o projeto é prioridade do governo no Legislativo.

Ele destacou ainda que, desde 2007, estão sendo discutidas mudanças como o fator previdenciário, embora reconheça que em relação a esse tema não haja consenso. Para Garibaldi, outra mudança que deveria ser implementada é a idade mínima para que homens e mulheres possam se aposentar, hoje de 51 anos para mulheres e 54, para homens.

Embora admita que o fator previdenciário possa prejudicar o aposentado no cálculo do benefício, por outro lado, o tempo de contribuição mínima de 30 anos para mulheres e de 35 anos de idade para os homens se aposentarem "faz com que uma pessoa deixe o serviço ainda muito nova, em condições de continuar no mercado de trabalho".

O ministro afirmou que não está descartada a possibilidade de ser aprovada este ano a correção sobre as aposentadorias e pensões que ficam acima de um salário mínimo, que é o rendimento mínimo pago pela Previdência Social. Os valores foram corrigidos em 6,08% em janeiro, correspondentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O ministro disse que os benefícios nesse patamar poderiam ter ganho real sobre a inflação, como chegou a ser feito no governo passado. Garibaldi ressaltou, no entanto, que, para tomar essa decisão, o governo levará em conta os impactos da crise econômica internacional sobre a economia interna.

O que poderá mudar na Previdência
Benefício paga à família do trabalhador quando ele morre

COMO É HOJE:
Para concessão de pensão por morte, não há tempo mínimo de contribuição, mas é necessário que o óbito tenha ocorrido enquanto o trabalhador tinha qualidade de sugrado.

COMO PODE FICAR:
O governo pretende enviar projeto de lei ao congresso propondo prazo de carência. Há também a ideia de criar uma barreira ou o cancelamento da pensão paga à viúva no caso de ela vir a casr novamente.

Idade mínima

COMO É HOJE:
Tem direito ao benefício os trabalhadores urbanos do sexo masculino a partir dos 65 anos e, do sexo feminio, a partir dos 60 anos de idade. Os trabalhadores rurais podem pedir aposentadoria por idade a partir dos 60 anos, homens e, a partir dos 55 anos, as mulheres.

COMO PODE FICAR:
O governo federal deve enviar projeto de lei ao Congresso propondo o aumento da idade mínima para a aposentadoria, que poderá subir para 68 ou 70 anos para os homens e 65 para as mulheres.

Servidores públicos

COMO É HOJE:
Os servidores públicos se aposentam com seus vencimentos integrais.

COMO PODE FICAR:
O plano do governo federal é aprovar projeto de lei que atinja os futuros aposentados da área pública para que estes recebam o teto do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) - hoje em torno de R$ 3.920,00. A partir desse valor, os vencimentos seriam complementados por um fundo de previdência, administrado pelo Funpresp.

 

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