Rejeitada PEC que dá poder de fiscalização a parlamentar

Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) rejeitou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 422/01, do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que pretendia conceder aos parlamentares (deputados, senadores e vereadores) poderes para fiscalizar empresas e instituições que recebem recursos públicos.

De acordo com o texto da PEC, os parlamentares teriam livre acesso, a qualquer momento, a entidades privadas e a órgãos públicos para exercer essa função fiscalizatória. O relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), apresentou parecer pela inadmissibilidade, o qual acabou aprovado por maioria, com o apoio do DEM, PSDB, PP, PT e PPS. Votaram a favor da PEC cinco deputados, representantes do PMDB, PV, PTB e PCdoB. Com a rejeição, a proposta será arquivada.

Papel do TCU
O relator lembrou que a Constituição já atribui ao Tribunal de Contas da União (TCU), no seu papel de órgão auxiliar do Congresso, competência para exercer o controle externo e fiscalizar a correta aplicação dos recursos públicos. No entender do relator, a pretendida ampla liberdade de acesso dos parlamentares aos documentos de entidades e empresas privadas representaria uma extrapolação da fiscalização já garantida pela Constituição.

Em nome do PSDB, o deputado Bonifácio de Andrada (MG) respaldou o relator, e advertiu que a aprovação da PEC poderia produzir abusos inaceitáveis, como a utilização do poder de fiscalização como instrumento desleal de luta política. Na mesma linha, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) preveniu que empresas privadas poderiam ficar sujeitas a tentativas de extorsão.

Mesmo sendo a PEC de autoria de um deputado petista, o PT também se posicionou contra. 'Imaginem o que significaria cada parlamentar ter poder de fiscalizar individualmente qualquer empresa ou entidade', alertou o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-SP).

Já para os deputados Regis de Oliveira (PSC-SP), Geraldo Pudim (PMDB-RJ), Pastor Manoel Ferreira (PTB), Marcelo Ortiz (PV-SP) e Chico Lopes (PCdoB-CE), a PEC não fere a Constituição, e, portanto, deveria ser admitida. Eles argumentaram que o papel de fiscalização do parlamentar é reconhecido pela Constituição, e o mérito da proposta deveria ser discutido por uma comissão especial.