CCJ discute situação dos servidores que aderiram ao PDV

Agência Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) promoveu audiência pública sobre a situação de servidores públicos que aderiram a programas de demissão voluntária (PDV).

O governo federal iniciou seu primeiro PDV em 1999. O deputado Chico Lopes (PCdoB-CE), que originalmente solicitou o debate, lembra que as pressões pela redução do tamanho do Estado, que chagaram a seu ápice na década passada, deram origem a diversos programas governamentais de desligamento voluntário de servidores públicos, nas esferas federal, estadual e municipal, abrangendo tanto a administração direta, as autarquias e fundações públicas, como também as empresas estatais.

Dificuldade de recolocação
Lopes considera que, para a maioria dos que aderiram ao programa, os resultados não corresponderam às expectativas. "A situação claudicante da economia brasileira à época do PDV não propiciava a criação de novos empregos, tornando difícil a recolocação dos egressos do serviço público. Da mesma forma, o momento não era favorável a novos empreendimentos, o que levou ao fracasso de muitas das iniciativas empresariais dos que haviam aderido ao PDV, exaurindo rapidamente os recursos que haviam obtido de suas indenizações."

O deputado ressalta ainda que os entes governamentais não cumpriram obrigações que a legislação para o PDV impunha. "Os treinamentos insuficientes e inadequados não contribuíram para a requalificação profissional dos que haviam deixado o serviço público, frustrando sua reinserção no mercado de trabalho. A concessão de crédito para novos empreendimentos também ficou muito aquém das necessidades dos ex-servidores."

O deputado Geraldo Pudim (PMDB-RJ) assinalou que o assunto é relevante porque vem afligindo muitos brasileiros que foram envolvidos em diversos programas governamentais de desligamento voluntário.