Marketing político: renovar é preciso

Texto Magali Antunes

Fotos Maria Angélica Belani

Aconteceu na cidade de João Pessoa, no estado da Paraíba, o Encontro Nordestino de Vereadores e Servidores de Câmaras Municipais. O evento foi uma promoção da Associação Brasileira de Servidores de Câmaras Municipais – Abrascam e foi realizado no Littoral Hotel, no período de 25 a 28 de novembro passado.

Segundo o presidente, Josinaldo de Araujo Barbosa, como a Abrascam realiza, anualmente, um congresso que reúne servidores de todo o País, sempre em cidades diferente, “me senti na obrigação de realizar esse encontro, pois precisamos mostrar ao povo nordestino nossa luta em prol das câmaras municipais”.


Pára-choque
Para o vereador Algaci Túlio, que participou do encontro representando a Câmara Municipal de Curitiba, o papel do vereador é fundamental, pois ele é o pára-choque da sociedade. “Enfrentamos a chuva, o sol, a lama e somos o primeiro salvador para as pessoas que buscam soluções. Enfim, discutimos os problemas da cidade como um todo”, disse, salientado que está se readaptando na função de vereador, uma vez que ficou um longo tempo afastado do parlamento.

Marketing Político

Foi o tema apresentado pela professora Adriana Nóbrega de Barros que ressaltou a importância dessa ferramenta para os parlamentares. “Com um mundo globalizado que vem mudando a cada dia, precisamos perceber os caminhos que o marketing político vem alcançando”, disse, afirmando que os políticos precisam se renovar, acompanhar as tendências de comunicação ou não terão mais sucessos.
 

A especialista citou como exemplo a águia que, entre os animais, tem a maior longevidade, chegando até aos 70 anos. Mas, que num determinado momento para continuar vivendo precisa enfrentar um doloroso processo de renovação. Voando para a montanha mais alta, onde não necessita mais voar, sozinha, arranca suas unhas, seu bico e suas penas. E, espera que nasçam tudo outra vez. Um processo doloroso que dura aproximadamente 150 dias.

 

“Nas nossas vidas também precisamos ter a coragem de enfrentar esse processo, conscientes da dor e sofrimento que a renovação pode nos causar.

Mas, somente as decisões que tomamos que irão determinar a altura e a grandeza de nossos vôos”, afirmou Barros, ressaltando que “o sucesso é um prêmio e a renovação é o único caminho para se chegar aos nossos objetivos.

Para Barros, toda campanha começa obrigatoriamente com uma boa pesquisa. Com a avaliação do eleitorado, do potencial do candidato e de seus possíveis adversários. A especialista concluiu salientando a dificuldade entre se escolher um partido que representa sua ideologia ou a capacidade de se eleger. “Ou a gente acompanha as tendências ou vai ficar para trás. Por isso, é necessário rever nossas ferramentas. Nós somos do tamanho dos nossos objetivos”.

Competências e Responsabilidade

Segundo o advogado José Leonel do Canto Alves, que falou sobre as competências e responsabilidade do Executivo e Legislativo Municipal, a resposta que o estado dá a uma crise é uma lei para responder o problema. “A sociedade está carente do estado de direito. O principio fundamental da Constituição é a dignidade do ser humano. Esta é a nossa crise. Não conseguimos atender dignamente os brasileiros. Precisamos trabalhar pela dignidade do ser humano e, qualquer pessoa que se envolva com a administração publica deve saber disso”, afirmou.
 

Na visão do especialista, a partir do momento que passamos a viver em sociedade passamos a fazer uma confusão muito grande. Pois, quando alguém tem dificuldade de se explicar (justificar) diz que esta cumprindo a lei. É a questão da legalidade. “Mas, hoje, o poder esta dissociado do consentimento. O poder legitimo exige a convergência das regras para os objetivos sociais. E, ai esta a diferença do poder legal, racionalizado e do poder legitimo que é consentido”, disse, ressaltando que o poder legislativo municipal não tem legitimação, pois as pessoas não sabem para que serve. “E a participação popular é uma forma de legitimar o poder”.


Crise

Segundo o especialista, a administração publica esta passando por uma crise muito ampla, porque não consegue atender os compromissos do estado. De possibilitar a dignidade do ser humano, como saúde, educação e moradia.

“O conceito de poder máximo acabou. Temos empresas hoje com um poder tão grande que fazem e derrubam governos. Crise de paradigmas. Crise estrutural, onde estados não conseguem mais responder as necessidades, as questões culturais. A Carta Magna de 1988 não foi recepcionada, cumprida. Não existe secreto na administração publica. É preciso prestar contas e mostrar como esta sendo aplicado o dinheiro publico. A lei de Responsabilidade Fiscal esta complementando o que já existe há 20 anos. Na verdade, não gostamos de prestar contas, então não é a falta de lei”, disse, afirmando que os controles externos nos legislativos não estão funcionando por uma série de motivos.

Legislativo em cheque

Já, para o analista do Senado Federal, que representou o Interlegis durante o encontro, Raimundo de Araujo Junior “vamos tentar controlar o estado através de mecanismos eletrônicos. O maior desafio do estado moderno é controlar suas contas (despesas) publicas. Esta é a grande mudança trazida pela lei 131/09 que veio complementar a lei 101/2000 como conseqüência do descrédito dos legislativos” ressaltou, afirmando que “o fortalecimento do estado passa, necessariamente, pelo fortalecimento do poder legislativo”.

Pelas mudanças trazidas pela lei, é necessário a adoção de um sistema integrado de administração financeira e controle que atenda um padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo poder executivo, onde o cidadão possa ter informações em tempo real de como o dinheiro publico esta sendo gerado. Qualquer cidadão, sindicato é parte legitima para denunciar irregularidades, sendo dever do Ministério Publico acolher qualquer denuncia do cidadão.

Para o especialista, “isso é uma forma de desvalorização do poder legislativo, pois a lei focou no cidadão que é absoluto para fiscalizar. E, isso coloca em cheque os legislativos”.

Ética na política

Coube ao promotor João Elias Silva Filho, da comarca de Timbauva, Pernambuco, palestrar sobre a ética na política. “Nem sempre o dinheiro ou o poder resolve tudo. Dentro de uma visão estrutural, o Ministério Publico tem sido o calcanhar de Aquiles no mundo político. Meu objetivo aqui é possibilitar reflexões para uma consciência filosófica da política. Fazer uma análise critica dessa consciência frente a atividade política atual”, salientou o promotor fazendo um breve relato de onde nasceu a historia política e como é exercida ao logo dos anos desde a Grécia.


Para Silva Filho, existe uma dicotomia do certo e errado da forma em que se chega ao poder. “Muitos para conseguirem chegar ao poder tem um comprometimento tão grande que seus ideais ficam impossíveis. Os “showsmicios” privilegiavam os que tinha poder econômico e aqueles que não tinham chegavam a vender sua alma ao diabo para conseguir uma eleição mais equilibrada”, disse, remetendo a compra e venda de votos.
“Não sei de quem é a culpa maior. Se do político que acostumou o eleitor ou do eleitor que não tem consciência do voto pelo trabalho. Ë o rompimento de princípios éticos pela sociedade quando vende seu direito de cidadão”.

Esforço

Para o promotor, os próprios políticos vão ter que desempenhar um esforço muito grande para desfazer este estado de coisas. Precisam dizer não vou pagar contas, dar remédios, pois são os principais responsáveis por isso.

Lembrando o grande filosofo Sócrates que abriu mão da própria vida pela cidadania, preferindo a morte a se envolver em conchavos para alcançar cargo publico, disse que é dever do político se conscientizar do seu papel. “Importante será o dia que não será necessários gastos, mas apenas apresentar projetos de benfeitorias ao cidadão”, concluiu.

PEC dos vereadores e orçamento público

Foram os temas apresentados pelo economista e advogado Washington Moreno, assessor da Câmara Municipal de Curitiba. Moreno, acompanhou como técnico da Abrascam, toda a tramitação da emenda constitucional que tratou da redução do orçamento dos legislativos municipais e da nova composição das câmaras municipais, em Brasília. Ainda, técnicos dos Tribunais de Contas de Pernambuco e da Paraiba participaram do encontro com os temas Legislativo Municipal: dúvidas freqüentes e Previdência dos Vereadores e Servidores.
 

Clique abaixo e leia as palestra:

 

- PEC dos Vereadores

- Orçamento Público

- Legislativo Municipal: dúvidas freqüentes - TCE|PE

- Mudanças na Lei Complementar 101/2000

- Previdência dos Vereadores e Servidores - TCE|PB

- Competência e Responsabilidade do Executivo e Legislativo Municipal

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

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