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Os estudantes
devem continuar saindo às ruas para
protestar, de forma pacífica, contra a
corrupção em Brasília. O pedido foi feito da
tribuna pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS).
Para ele, "a brutal" reação da Polícia
Militar, que usou até a cavalaria para
dissolver a manifestação dos estudantes na
última quarta-feira (9) em frente ao Palácio
do Buriti, não deve assustar os estudantes.
- Pelo contrário. A ação repressiva da
Polícia Militar tem de tudo para servir de
estímulo para que os jovens continuem saindo
às ruas na luta contra a corrupção - resumiu
o senador.
Pedro Simon estranhou a ausência nos
protestos da União Nacional dos Estudantes
(UNE) e da militância da Central Única dos
Trabalhadores (CUT). O senador também pediu
o afastamento do comandante da Polícia
Militar do Distrito Federal em face da
reação brutal dos policiais contra um
movimento pacífico dos estudantes.
As manifestações foram em protesto contra o
governador José Roberto Arruda, flagrado por
câmeras recebendo maços de dinheiro. O
governador também é acusado de comandar um
esquema de corrupção - batizado de Mensalão
do DEM - envolvendo deputados distritais,
secretários, empresários e assessores.
No entender de Pedro Simon, Brasília é hoje
"um exemplo dos mais emblemáticos da
decepção da população com os rumos da
política, com a certeza da impunidade". Para
ele, os desvios de recursos em Brasília não
é um fato isolado. E previu que atos
semelhantes podem estar ocorrendo em outras
administrações públicas, em todos os níveis.
Pedro Simon defendeu ainda a instalação de
uma Assembléia Nacional Constituinte de
caráter exclusivo, destinada a elaborar as
reformas consideradas necessárias para o
país, a começar pela política e tributária.
Para ele, o atual Senado e a Câmara dos
Deputados não têm condições de bancar as
transformações exigidas pela sociedade.
Dando continuidade a uma série de
pronunciamentos que vem fazendo com relação
à impunidade e o aumento da corrupção no
país, Pedro Simon defendeu a necessidade de
o Congresso Nacional recuperar a importância
das comissões parlamentares de inquérito
(CPIs). Mas alertou que isso somente
ocorrerá "quando o próprio Parlamento
resgatar a sua legitimidade".
Censura
Pedro Simon também qualificou de "triste" a
decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)
que manteve a censura ao jornal "O Estado de
S. Paulo", proibido de publicar informações
da operação "Boi Barrica", deflagrada pela
Polícia Federal, que envolve o nome do
empresário Fernando Sarney, filho do
presidente do Senado, José Sarney.
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