Licitação e Contratos Públicos foram temas de curso   

 

Exame do controle e acompanhamento das contratações no âmbito municipal foi o tema do curso de Licitação e Contratos Públicos promovido pela Associação dos Servidores de Câmaras Municipais do Paraná- Ascam/Pr, com o apoio da Associação Brasileira de Servidores de Câmaras Municipais – Abrascam e da Câmara de Curitiba.

O evento, que foi realizado no Auditório do Hotel Aladdin em Curitiba, no período de 13 à 15/02, foi ministrado pelo advogado José Leonel Canto Alves, especialista em Direito Público, ex-assessor Jurídico da Câmara Municipal de Porto Alegre, Consultor e docente das associações Ascam/Pr e Abrascam.

Segundo o presidente da Abrascam, Relindo Schlegel, a expectativa é tanto na área municipal, com a troca de partidos pelos vereadores, como na Federal com as propostas de emendas constitucionais –PECs, que ainda não se sabe se serão votadas ou não no decorrer deste ano. Além da possibilidade do Tribunal Superior Eleitoral editar novas medidas para as próximas eleições como fez em 2004. “Tudo isso afeta o dia-a-dia das Câmaras, já que quando da elaboração dos projetos os deputados federais não levam em conta a realidade de cada município e as suas necessidades. Precisamos ficar atentos quanto a isso”, disse, comunicando que no início de março haverá um encontro de vereadores em Brasília para debater estes assuntos. Schlegel lembrou, ainda, a importância da implantação do ISO 9001 pelos Legislativos como forma de acompanhar a modernidade. Com projetos mais avançados que possam dar uma resposta satisfatória para a sociedade.

Princípios
Canto Alves começou dizendo da importância do parecer jurídico nos processos de licitações. “A Assessoria Jurídica faz o lado chato do processo. Pois, os pareceres precisam dizer o que pode ou não ser feito. É preciso trabalhar com a lógica de como deveria ser, já que o direito é a ciência do dever ser. Devemos trabalhar vinculados com a legislação”, afirmou.

Na opinião do especialista, o maior problema da administração pública brasileira é a aplicação dos princípios constitucionais de um nível para outro nível. Do público para o privado. “Precisamos fazer essa separação para não cometermos erros, mesmo cumprindo a Lei de Licitações”, frisou, lembrando que na estrutura normativa temos a pirâmide constitucional, onde mais importante que uma lei ou norma são os princípios que representam as normas básicas de todo ordenamento jurídico de um País.

Canto Alves reafirmou que, aos particulares é permitido fazer tudo o que não é proibido, tendo como limite à lei. Já, a Administração Pública somente poderá fazer aquilo que a lei autorizar. “A própria Constituição de 88 elegeu alguns princípios, como o da Moralidade, Legalidade, Impessoalidade, Eficiência e da Publicidade, que devem ser observados pelos agentes públicos na relação público-privado”, ressaltou.

Pregão
Na visão do advogado, os municípios terão que ter pessoas habilitadas para trabalhar com o Pregão, modalidade de licitação instituída pela Lei Federal 10.520/02, “se quiserem continuar a receber os repasses voluntários do Governo Federal. É só uma questão de tempo. Pois, essa modalidade, que só pode ser feita pelo menor preço, tem como finalidade a agilização dos processos licitatórios, sem perda de tempo. Uma vez que são analisados, tão somente, a documentação da empresa vencedora. Já, nas outras modalidades é preciso que os membros de comissão de licitação analisem os documentos de todos os concorrentes”, disse. Canto Alves reafirmou, também, a importância do controle e a participação popular na administração pública. “Só mudaremos o país, quando isso acontecer de fato. É uma questão de cidadania, precisamos adquirir essa consciência”, concluiu, dizendo que “não temos o hábito de prestar contas e que existem muitos dispositivos constitucionais de controle que devem ser utilizados, que garantem a eficiência e a eficácia da administração pública”.

O curso que abordou todas as fases do processo licitatório, desde o edital passando pelas disposições gerais sobre os contratos públicos, inexibilidade, dispensa, penalidades, aditamento contratual, crimes em matéria de licitação, fraude e as alterações contratuais vedadas, Licitação e a Lei de Responsabilidade Fiscal, os procedimentos e os recursos administrativos entre outros. Participaram servidores e vereadores de diversas cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.