A lei não é um produto que nasce pronto, diz especialista

Magali Antunes - Assessoria da Abrascam

Dentro de um processo criativo, o papel das Comissões temáticas é muito importante na elaboração das leis, pois a lei não é um produto que nasce pronto. A afirmação foi feita pelo coordenador técnico do XXIV Congresso Brasileiro de Servidores de Câmaras Municipais, advogado André Leandro Barbi de Souza. O evento é uma promoção da Abrascam, e foi realizado no período de 07 a 10 de julho, na cidade de Foz do Iguaçu. Segundo Barbi, o perfil do parlamentar vem mudando nos últimos vinte anos. Hoje, um bom parlamentar é aquele que mais se insere nos

processos demonstrando habilidades de negociações na busca de resultados positivos que atendam as necessidades da comunidade. Portanto, as comissões permanentes do legislativo municipal devem, hoje, ser objeto de muita atenção. Pois, quando um vereador é designado para uma comissão ele fica obrigado a atuar, caso contrário incorre não falta de ética parlamentar. Já, quando é designado para ser relator de um projeto assume a responsabilidade de analisar o projeto e apresentar soluções.

O direito de indicar vereador em comissões decorre da proporcionalidade de partidos projetada a partir da totalidade das comissões e, a indicação é de responsabilidade dos partidos que compõe a câmara municipal.

Grau de instrução x qualidade

Na opinião do advogado André Barbi, o grau de instrução não vai garantir a qualidade dos trabalhos legislativos. “Muita gente defende a idéia de que para ser vereador é preciso ter nível superior. Isso é puro elitismo. Durante a minha caminhada conheci muitos vereadores com excelentes trabalhos e de nível de instrução básico, mas comprometido com a comunidade, como também conheci vereadores graduados e até doutores sem nenhum comprometimento com a função de legislar”, disse o especialista, afirmando que um vereador aprende a ser vereador é no trabalho das comissões, que oferecem este espaço para aprofundamento das questões relativas a missão e metas da câmara municipal.

Hoje, segundo Barbi, o grande desafio é fazer das câmaras municipais um poder legislativo e, isso passa pelo aprimoramento dos trabalhos legislativos.

 

Um processo legislativo precisa passar, obrigatoriamente, por quatro fases que são: Do conhecimento – o projeto precisa ser protocolado, dar-se conhecimento não apenas para o presidente da Casa, que tem que dar publicidade do mesmo para a sociedade; Da instrução, através das comissões, onde os vereadores também tomam conhecimento; Da deliberação parlamentar e do executivo e, Da revisão redacional, que dá a redação final do projeto. Assim, temos o devido processo legislativo, com as quatro fases obrigatórias.

Publicidade
O não atendimento do princípio da publicidade, a lei pode ser considerada inconstitucional, “nem mesmo com a concordância do Plenário pode ser excluído o principio da publicidade. O Plenário é soberano, mas não para criar exceções a Constituição Federal”, afirmou Barbi, lembrando que numa democracia é muito imortante manter-se a segurança jurídica.
 

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