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Curitiba acaba
pagando um preço político alto por possuir
um planejamento urbano modelo. A avaliação é
do arquiteto Ricardo Amaral Bindo, durante
palestra sobre planejamento urbano, na manhã
desta sexta-feira (11), no Pré-Congresso do
Comitê Latinoamericano de Parlamentos
Municipais. Supervisor de planejamento do
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano
de Curitiba (Ippuc), Bindo falou que a
maioria dos investimentos na capital é
proveniente do município e que a demanda por
novos equipamentos urbanos e obras
necessárias para acompanhar o crescimento da
cidade é maior que os recursos da prefeitura.
“Talvez o Estado e o governo federal
entendam que a cidade não precise de
investimentos por ser considerada modelo em
gestão urbana e ambiental.” Porém, segundo o
especialista, é preciso levar em conta que a
cada dez anos a cidade soma cerca de 500 mil
habitantes, o que muda consideravelmente o
cenário.
Realizado em parceria com a Câmara Municipal
de Curitiba, o evento marca a retomada da
participação brasileira neste fórum
internacional de troca de experiências
legislativas entre os países do Extremo Sul,
contando com cerca de 280 vereadores do
Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil, que
estarão reunidos até este sábado (12), para
debater a experiência curitibana nas áreas
de transporte público, meio ambiente,
segurança pública, cidadania e gestão
pública.
Todo o processo, desde o primeiro plano
diretor implantado na cidade, até os
projetos de intervenção que estão em fase de
estudo para realização do Mundial de 2014,
foram abordados por Bindo. Com imagens,
mapas, gráficos e fotografias da cidade, o
especialista mostrou o processo de evolução
da rede de transporte e seus objetivos.
O sistema de transporte trinário,
privilegiando um crescimento linear, por
meio dos corredores estruturais, assim como
o reflexo na ocupação e uso do solo para a
cidade, característico de Curitiba, tomou
grande parte da explanação. Projetos da nova
requalificação da Cândido de Abreu, Linha
Verde, estação do metrô sob a canaleta,
incentivos construtivos e de preservação
ambiental e histórica também foram
contemplados na apresentação do Ippuc. O
comprometimento da administração pública é,
segundo Bindo, a garantia do sucesso das
políticas urbanas. “O planejamento consiste
em um trabalho contínuo”, frisou, alertando
para a importância de investimentos para
manutenção e novas intervenções necessárias
devido às mudanças.
Lixo
A coordenadora de Resíduos da Secretaria
Municipal do Meio Ambiente, Marilza do Carmo
de Oliveira Dias, que também é secretária
executiva do Consórcio Intermunicipal para
Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos, falou
sobre a experiência de Curitiba nesse
processo e da intenção de que a troca de
experiências contribua para a
sustentabilidade global.
“Diariamente são separadas 545 toneladas de
resíduos para reciclagem. A cada três dias
de coleta desse material é economizado um
dia de vida útil do aterro sanitário”,
explicou, lembrando que o processo de
encerramento do Aterro da Caximba já está
sendo executado. Após o término, previsto
para novembro deste ano, a manutenção se
estenderá por mais 20 anos.
A coordenadora explicou que o fato de
Curitiba não ser autossuficiente em
tratamento de água, se abastecendo por meio
de mananciais existentes nas cidades da
região metropolitana, exige um gerenciamento
integrado de resíduos sólidos. “Em razão da
necessidade dessa integração, criou-se, em
2001, o Consórcio Intermunicipal para Gestão
dos Resíduos Sólidos Urbanos”, disse,
acrescentando que esse método era o ideal
para aquele período. “O Sistema Integrado de
Processamento e Aproveitamento de Resíduos,
o Sipar que deverá ser implantado após o
encerramento do Aterro da Caximba é o ideal
para a atualidade”, disse. O objetivo é,
segundo ela, o máximo aproveitamento dos
resíduos e mínima dependência do aterro
sanitário.
Projetos
Marilza mostrou diversos projetos, entre
eles o Câmbio Verde, que faz a troca de
materiais recicláveis por mantimentos.
Implantado em 1991, atende hoje cerca de 88
comunidades. “Para 7,5 mil pessoas atendidas
por mês são recolhidas mais de 250 toneladas
de materiais recicláveis e, em troca,
entregues 65 toneladas de alimentos”,
informou.
O processo de gerenciamento de resíduos
domiciliares, recicláveis, tóxicos, vegetais
e de serviços de saúde também foi mostrado
pela coordenadora, que alertou para o
crescimento da geração de lixo na última
década. Segundo ela, a quantidade de lixo
aumentou 49% nesse período no País enquanto
a população passou de 146 milhões para 170
milhões de habitantes, o que corresponde a
16,43%. |