Políticos com ficha penal suja podem ser impedidos de se candidatar

Agência Folha

Segundo informações divulgadas pelo Jornal Folha de São Paulo, o Colégio dos Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) decidiu neste final de semana encaminhar ao Congresso Nacional e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a minuta de um projeto de lei que visa proibir candidaturas de políticos que respondam a processos criminais ou civis por improbidade administrativa.

A proposta foi discutida durante encontro do colégio realizado em Natal (RN). Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, Cláudio Santos, não há uma lei que trata do deferimento de registro de candidatos que tenham "maus antecedentes", por isso a necessidade de legalizar o assunto.

Santos explicou que "maus antecedentes" não incluem apenas os processos criminais, mas também os civis por improbidade administrativa que já foram julgados em primeira instância e estão em grau de recurso nos tribunais.

Como, hoje, não há lei sobre o assunto, os TREs indeferem registros de candidatos com base no princípio da moralidade, apesar de a Constituição Federal garantir a presunção da inocência --quando o réu só pode ser considerado culpado após o julgamento do processo na última instância.

O presidente do TRE/RN justificou que ao encaminhar a minuta do projeto ao TSE e ao Congresso o colégio de presidentes quer "externar sua preocupação" com relação as eleições de outubro. Segundo Santos, é consenso no colégio a possibilidade de indeferir registros de candidatos com "maus antecedentes". "Porém, vamos analisar caso a caso", afirmou.

Rio de Janeiro
Em setembro do ano passado, o presidente do TRE do Rio de Janeiro, desembargador Roberto Wider, disse que pretende adotar nas eleições de outubro o mesmo critério usado em 2006 e aprovar somente registros de candidatos que tenham ficha penal limpa.

Wider já orientou os demais magistrados que integram o tribunal que vão analisar pedidos de candidaturas no Estado.

"É o mínimo que se pode exigir de quem quer representar o povo", disse Wider, que pediu para os juízes "agirem com firmeza contra os políticos, cujo passado indica que eles não se comportaram de forma adequada para concorrer numa eleição".