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Apesar de
apresentar um crescimento significativo
desde 1990, as mulheres ainda são minoria na
política brasileira. A justificativa para o
fato, segundo a pesquisadora Fabrícia
Pimenta, mestre em Ciência Política pela UnB
(Universidade de Brasília) e doutoranda em
História na linha de pesquisa “Estudos
Feministas e de Gênero”, é de que as
mulheres ainda sofrem preconceito.
“Há preconceito, com certeza. Contudo, a
arena política, tradicionalmente vista como
local de debates arraigados de valores
patriarcais, tem sido, aos poucos,
conquistado pelas mulheres. De um modo
geral, já se pode falar da visibilidade,
ainda que diminuta, feminina nos processos
eleitorais, atividades no Parlamento, no
aparelho estatal; enfim, no campo político
brasileiro.”
Para Pimenta, o Brasil está preparado para
ter uma mulher na Presidência da República.
“Creio que existem mulheres capacitadas para
assumir a Presidência da República, contudo,
caso uma mulher seja eleita para o cargo
máximo do Executivo brasileiro, espera-se
que ela aja com justiça social e igualdade,
apresentando uma série de desafios urgentes
que precisam ser enfrentados pela sociedade
e pelo Estado, visando assegurar a
concretização do que já foi conquistado
pelas mulheres e buscando o que ainda falta
alcançar.”
A especialista ainda explicou as diferenças
entre um homem e uma mulher na política
brasileira. “No estudo ‘A Mulher Brasileira
no Congresso Nacional’, Fanny Tabak afirmou
que, geralmente, as mulheres que se inserem
na vida política têm um baixo senso de
eficácia e isso acarreta menor defesa de
seus interesses. Segundo a autora, essas
representantes defendem mais assuntos
ligados à vida local que a nacional e são
mais conservadoras. Para ela, são inúmeros
os fatores que explicam a baixa participação
feminina na arena política, dentre os quais
os mais importantes são os padrões
diferenciais de socialização política, as
regras institucionais e as estruturas do
Estado definidoras dos ‘códigos culturais de
representação’.”
Em 1996, o Congresso Nacional instituiu o
sistema de cotas na Legislação Eleitoral
–que obrigava os partidos a inscreverem, no
mínimo, 20% de mulheres nas chapas
proporcionais. No ano seguinte, o sistema
foi revisado e o mínimo passou a ser de 30%. |