A economia para os cofres públicos e a redução do número

de vereadores - onde está a moral dos defensores de idéia?

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Por Silvio Borges de Jesus
 

Aqueles que argumentavam alegando que a redução do número de vereadores representava uma apreciável economia para os cofres públicos nacionais, diante dos fatos que pululam na realidade nacional, com os escândalos dos correios, do mensalão, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, caixa 2, em que estão envolvidas as mais importantes autoridades nacionais, ficam órfãos dos seus próprios argumentos.

Cometido o crime com relação à representatividade nas câmaras municipais, não restou sobrevida ao deslavado argumento dos que buscam macular a autonomia municipal, a credibilidade dos políticos municipais e, principalmente o desprestigiamento dos vereadores, de quem, por exemplo, a grande mídia muito pouco ou quase nada pode receber em troca, diante dos minguados recursos (proporcionalmente) destinados ao Poder Legislativo municipal.

Desde o seu nascimento o Portal do Vereador inscreveu o norte de suas ações nas abençoadas palavras de seu exórdio e depois de 2 anos, com mais de trezentos e trinta mil acessos as suas páginas, conforme dados estatísticos do provedor Terra, atingido na segunda feira 3.258 acessos e na terça feira 3.225 acessos, ficamos a cavalheiro para apoiar sem restrições àqueles que lutam para a retomada da normalidade constitucional neste País, com a volta dos vereadores suplentes, cujos mandatos foram, num golpe branco, simplesmente cassados.

Vale aqui, buscar alguns excertos do livro Câmaras Municipais – Processo e Procedimentos, de minha autoria, cujas afirmações aliadas aos propósitos do nosso Portal (exórdio) representam o concreto e incondicional apoio do Portal de Vereador e de sua equipe de trabalho ao movimento nacional patrocinado pelo Modeve buscando a volta dos vereadores cassados, impedindo assim a malfadada tentativa de agressão à representatividade do cidadão, nas nossas casas legislativas municipais.

As Câmaras Municipais têm exercido papel preponderante na consecução de objetivos democráticos e na formação política dos cidadãos brasileiros.

Escola política, o Poder Legislativo municipal, através dos Vereadores, vivencia o dia-a-dia das comunidades, constituindo-se num eficiente instrumento para a satisfação das demandas sociais nos municípios.

Legislando, reivindicando, pressionando, assessorando e fiscalizando o Poder Executivo, os Vereadores transformam a Câmara Municipal numa verdadeira caixa de ressonância representativa dos anseios das comunidades.

Responsável direta pelo governo do município, a Câmara Municipal (e seus Vereadores) possui um rol importantíssimo e extenso de competências, desconhecido por muitos cidadãos, dentre as quais: (a) a definição das políticas públicas a serem gerenciadas pelo Prefeito Municipal; (b) a elaboração do ordenamento jurídico municipal, competindo-lhe, ainda, a última palavra na formalização da lei que obriga os cidadãos; (c) a definição da aplicação dos recursos públicos municipais; (d) a sustação de atos normativos do Executivo que extrapolem o poder regulamentar atribuído pela Câmara; (e) a cassação de prefeito e vereadores; e, ainda, dentre outras funções e atribuições inerentes a ela, (f) a verdadeira responsabilidade de governar o município.

Apesar desta insofismável importância, setores definidos, aliados as circunstâncias conjunturais, têm-se interessado em dilapidar a imagem de instituições que compõem a estrutura organizacional brasileira, como as Câmaras de Vereadores, e têm constantemente produzido mecanismos que levam essas instituições a merecer um acentuado descrédito junto aos cidadãos.

Ao longo dos tempos, o Poder Legislativo no Brasil, através de suas casas congressuais, em todos os níveis, sofre pesada e rigorosa crítica negativa da sociedade .

A nefasta ação guerrilheira se desenvolve, basicamente, alicerçada no sistema político-partidário e eleitoral nacional, em conseqüência de uma condução por interesses corporativistas, para os quais, todos os meios são utilizados, desde a informação subliminar às ações que corrompem o cidadão.

Estes corporativismos, econômico, sindical e político, aliados à letárgica ação do cidadão, têm sido o caminho pavimentado para que as instituições nacionais, como o Poder legislativo, sejam conduzidas pelos escolhidos do interesse grupal, comprometidos com a manutenção do establishment, sem compromissos com os anseios nacionais e, muito menos, com a dignidade e a respeitabilidade.

A desmoralização leva ao poder de coerção, coerção esta que submete a vontade comum a objetivos específicos de governos e de grupos, postergando a finalidade básica dos legisladores, ou seja, de elaborar normas gerais de justa conduta que expressem a opinião da sociedade brasileira.

O Congresso Nacional, através de suas Casas - Senado e Câmara dos Deputados -, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais, são a grande vitrine negativa que proporcionou e proporciona elementos substancialmente capazes de manter em evidência, diuturnamente, a indignação e o amargor do nosso povo.

A contumácia com que se sucedem os escândalos, as negociatas, a submissão perniciosa ao Poder Executivo, ao Judiciário e a interesses individuais e grupais, alimenta o desprestígio, não só das Casas maiores, mas também das Assembléias e das Câmaras Municipais, e estas como aquelas, não são infensas às investidas desprestigiadoras.

Precisamos reaver muitos dos conceitos e princípios perdidos ao longo dos anos, para reconstruir salvaguardas institucionais que, desta vez, com a experiência ganha, reduzam o perigo de repetição do processo de erosão gradual das instituições.

O exemplo não vem de cima, e, destarte, cabe aos detentores de responsabilidades municipais, buscarem a concretização de uma nova ordem político-institucional para que, afastadas as funestas interferências, o cidadão acredite no cidadão e se tenha, nas instituições, a garantia segura do fiel cumprimento da doutrina montesquiana em seu espírito das leis.

No momento em que o Supremo Tribunal Federal é chamado a corrigir um erro que ele mesmo cometeu, estamos todos nós convencidos de que a Suprema Casa Julgadora, diante da realidade dos fatos, e como guardiã maior dos institutos da nossa Constituição, por dever de ofício, garantirá a posse dos vereadores cassados.

É o começo da retomada de novos rumos de respeito ao cidadão brasileiro e a consolidação das instituições. Além, um aviso aos aventureiros, sempre de plantão.